O design gráfico ainda é tratado em muitas licitações públicas como um serviço padronizado, comparável apenas por preço. Como Licitar Design discute os impactos dessa lógica sobre a qualidade da comunicação pública, o planejamento das contratações e os resultados dos serviços criativos. Quando um órgão público precisa produzir uma campanha, um material institucional ou uma […]
O design gráfico ainda é tratado em muitas licitações públicas como um serviço padronizado, comparável apenas por preço. Como Licitar Design discute os impactos dessa lógica sobre a qualidade da comunicação pública, o planejamento das contratações e os resultados dos serviços criativos.
Quando um órgão público precisa produzir uma campanha, um material institucional ou uma peça informativa, quase sempre existe preocupação com orçamento, prazo e controle. Raramente existe a mesma atenção ao processo de criação.
Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que tantas contratações de design gráfico no setor público terminam em retrabalho, desgaste interno e comunicação ineficiente, mesmo quando o contrato foi formalmente cumprido.
Durante anos, o design foi tratado pela Administração Pública como atividade acessória, próxima da impressão ou da “arte final”. Mas design não é apenas execução visual. É clareza, acessibilidade, hierarquia da informação, método e tomada de decisão. Em muitos casos, é o que determina se uma política pública será compreendida ou ignorada.
Ainda assim, muitas licitações continuam estruturadas como se serviços criativos fossem totalmente padronizáveis e comparáveis apenas por preço. O resultado aparece cedo: editais genéricos, critérios técnicos vagos, agrupamento entre design e impressão e disputas vencidas por empresas sem especialização real em criação.
Foi da experiência prática acumulada nesse cenário que surgiu Como Licitar Design, publicação desenvolvida pela Refinaria Design, escritório com atuação em projetos para empresas e instituições públicas, em parceria com a Licitati, consultoria especializada em planejamento e gestão de contratações públicas.
O livro discute um problema ainda pouco explorado: o que acontece quando o Estado tenta contratar um serviço intelectual utilizando critérios pensados para objetos totalmente padronizados?
A discussão ganhou relevância com a Lei 14.133/2021, que reforçou a importância do planejamento, da gestão de riscos e da busca pela proposta mais vantajosa, conceito que vai além do menor preço.
No caso do design, essa diferença é central. Duas empresas podem entregar peças visualmente semelhantes, mas baseadas em níveis completamente distintos de pesquisa, aprofundamento, método e esforço criativo.
Quando o design é subprecificado, o esforço criativo tende a diminuir. As soluções ficam mais genéricas. As interações são reduzidas. E o contrato pode até cumprir formalmente o edital, mas fracassar naquilo que realmente importava: comunicar bem.
Mais do que um manual técnico, Como Licitar Design propõe uma discussão sobre qualidade, planejamento e comunicação pública — e sobre como a forma de licitar influencia diretamente o resultado do design entregue.