Preciso me encontrar

Se pudéssemos converter em valores o tempo gasto com a falta de uma sinalização eficiente em locais públicos ou privados ficaríamos surpresos. A experiência de se perder, a menos que seja uma opção individual, é sempre negativa. Você deve lembrar de alguns momentos onde experimentou essa sensação. Neste texto, vamos passear por alguns locais que comprovam a importância da sinalização, tema que nós, da Refinaria Design, temos fascínio.

Começamos com uma cena de dentro de um automóvel, na chegada ao Rio de Janeiro pela famosa Avenida Brasil. Se você já viveu essa experiência pôde comprovar o quanto de aventura pode-se viver ao acompanhar as placas de sinalização que indicam seu destino. Um desvio errado pode nos levar a lugares onde não se deve entrar desavisadamente. A sinalização, ou a falta dela, nos deixa em risco, nos provoca tensão, nos faz entrar em retornos equivocados e nesse caso ainda pode nos mandar sem querer para outra cidade, afinal, distraidamente, podemos nos ver obrigados a atravessar os 13 km que separam o Rio de Niterói sem querer. Este é um exemplo de sinalização macro, que se presta a ser vista e absorvida em situações de mobilidade acelerada, o olhar tem frações de segundo para absorver a informação. A eficiência dela deveria ser prioridade da cidade, já que mais carros perdidos geram mais trânsito, mais consumo de combustível e mais níveis de stress.

Numa segunda escala de atuação, temos os locais onde a sinalização dialoga com multidões em situações temporárias. Grandes shows e eventos esportivos precisam ter uma boa sinalização para evitar confusões e até mesmo desastres. Letras grandes, sistemas de cor de fácil apreensão e iconografia clara fazem parte de um bom projeto de sinalização. Nestes casos, também não há margem de erro – o projeto tem que ser certeiro. Imaginem uma situação de necessidade de evacuação da multidão sem uma sinalização eficiente? Melhor nem imaginar.

Fechando mais um pouquinho, temos o que podemos chamar de “não lugares” – expressão cunhada pelo antropólogo Marc Augé para designar os espaços públicos de rápida circulação – como aeroportos, estações de metrô, grandes cadeias de hotéis, supermercados e shoppings. O “não lugar” oferece o conforto do “se sentir em casa” esteja onde você estiver, na China ou no Brasil e é uma experiência individual que pode ser solitária, mas é sempre coletiva. O transeunte do “não lugar” mantém com este uma relação representada por símbolos que permitem o acesso, comprovam a identidade e autorizam os deslocamentos impessoais. A sinalização é um desses símbolos e por isso se apropria de códigos globais de comunicação.

E nós nos apropriamos do conceito do “Não lugar” para ilustrar porque um bom projeto de sinalização é aquele que prioriza conforto e entendimento. Acreditamos que pessoas devem circular por qualquer ambiente com a tranquilidade e segurança de saber para onde estão indo e como podem fazer isto da melhor forma possível. Sem perder tempo, nem energia.

A sinalização também é uma grande ferramenta de Branding. É um suporte privilegiado de apoio para as marcas, com conceito, fontes, cores e imagens da identidade visual. Ela é uma parte ativa da experiência dos clientes e fortalece a relação com as marcas, ao oferecer uma boa experiência espacial.

Por fim, uma simples sinalização de porta de banheiro em um restaurante pode oferecer sentimentos positivos ou negativos e até descortinar o posicionamento diante de questões de gênero de determinadas empresas. Lembrou de algum lampejo de dúvida diante de sinalizações criativas que não deixaram claro se o banheiro era feminino ou masculino? Já se confrontou com a sinalização de banheiros sem gênero? (Aliás, acreditamos que se tudo der certo, esse é o futuro de todos os banheiros). Enfim, do macro ao micro a importância da sinalização é fundamental. Concorda?

Abaixo, a sinalização que fizemos para o Hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro:

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